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Lugares remotos: Santa Helena, “a ilha de Napoleão”15/02/10 admin - Arquivado em Mundo -
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Para chegar a Santa Helena temos somente uma opção e é através das águas do oceano Atlântico. Somente poderemos chegar a esta ilha remota viajando em algum cargueiro dos que visitam estas latitudes a cada dois ou três meses ou esperar que os ventos nos empurrem até aqui em algum veleiro.
Trata-se de uma das ilhas mais remotas do mundo habitada e embora seja famosa por ter sido o lugar onde Napoleão passou seus últimos anos de vida, esta ilha guarda muitos outros atrativos.
No ano de 1502 João da Nova que viajava pela coroa portuguesa, encontrou este lugar vulcânico em sua viagem de regresso a Portugal vindo da Índia. A batizou com este nome inspirado em Helena de Constantinopla e embora a ilha estar totalmente desabitada em sua chegada, pode observar que haviam espessos bosques e fontes de água potável.
Os portugueses decidiram manter em segredo sua localização, sobretudo por sua posição geográfica estratégica. Santa Helena encontra-se situada a 2.800 km de distância da costa ocidental de Angola.
Trata-se de um lugar isolado, que parece viver ancorado em uma estranha calma, como se tudo se mantivesse em um equilíbrio misterioso dentro dos limites da ilhota. Ao cruzarmos com o povoado de JamesTown, de maior população, somos recebidos com uma saudação quase cantada e com um sorriso estampado em seus rostos.
Atualmente, administrativamente, é um território de Ultramar do Reino Unido, junto às dependências das ilhas de Ascencion, Tristão da Cunha e Diego Alvares.
Os contrastes da paisagem são surpreendentes, passando pelas pradarias e colinas de um verde semelhante à costa das Astúrias, dividindo o cenário com a aridez de suas falésias vulcânicas.
Devido ao isolamento no qual vivem seus habitantes, faz deles pessoas de extrema receptividade, que sempre tem um sorriso sem nenhuma outra desculpa quando passam por nós. A vida transcorre pacificamente e muitos são os lugares que a cada tarde podemos desfrutar do entardecer.
Santa Helena manteve-se desabitada até a chegada dos colonos holandeses em 1645. No ano de 1651, Santa Helena foi transferida a Companhia Britânica das Índias Orientais. Os ingleses seguem seu costume de possuir toda a terra que encontram a sua frente, rapidamente estabeleceram um destacamento na ilha e construíram um forte, que chamaram de JamesTown (atual núcleo mais habitado da ilha).
Ainda hoje em dia tal forte será a porta de entrada da pequena e desprotegida baía.
Naqueles anos passados cerca da metade dos habitantes da ilha eram escravos africanos. Em 1810 a Companhia Britânica começou a levar chineses a partir de Cantón. O aspecto dos atuais habitantes é de uma mescla peculiar. Seus habitantes poderiam parecer inclusive polinésios, mas estão claras suas raízes africanas e orientais.
A partir de 1870 Santa Helena foi perdendo importância pela abertura do Canal de Suez, o que facilitou as comunicações marítimas entre a Europa e a Ásia evitando a navegação ao redor da África.
Devido a seu afastamento e inacessibilidade, serviu como prisão para grandes personalidades da história. Napoleão Bonaparte passou seus últimos seis anos de vida na ilha, morrendo em 5 de maio de 1821. Ainda hoje pode-se contemplar uma lápide de pedra onde descansaram seus restos mortais pela primeira vez. Posteriormente seu corpo foi levado aos Inválidos em Paris, onde encontra-se na atualidade.
Encontraremos alojamento em algumas casas de hóspedes estilo inglês. Não é barato, por não existir muito oferta, mas viveremos com famílias em um ambiente acolhedor.
A maioria dos alimentos e outros bens chegam a estas latitudes em cargueiros. Há uns três anos atrás uma autoridade de imigração comentou que estavam pensando em construir um aeroporto. Certamente muitos de seus habitantes apreciariam, mas muitos outros acredito que não.
Imagens | Víctor Alonso
Via Diariodelviajero
Que bom essa população afortunada que mora em lugar esquecido deste mundo maluco, barulhento e cheio de poluição. Sinceramente, invejo essa gente. Parabéns!