
Ouro nos 800 metros do Mundial de Atletismo de Berlim, Caster Semenya logo despertou as desconfianças das adversárias. Por um motivo simples: como o jamaicano Usain Bolt, Semenya ganhou a prova com muita facilidade — e, para completar, tem um corpo muito musculoso, que lembra um corpo masculino.
De fato, a atleta produz mais três vezes mais testosterona que a média das mulheres. Até aí nenhum problema, porque essa quantidade está dentro dos limites determinados pela Associação Internacional de Atletismo (IAAF). Depois da competição, ela saiu toda maquiada na capa de uma das principais revistas de seu país. (No Brasil, já vimos exemplares semelhantes apresentando o “Fantástico”.)

A bomba veio quando exames mais detalhados — provavelmente uma biópsia — constataram que Semenya não possui útero — um caso inédito de hermafroditismo no esporte. Para saber mais sobre o assunto, leia esta matéria, publicada no tabloide inglês “The Sun”.
Fato é que um homem já competiu entre mulheres durante as Olimpíadas. Aconteceu em 1936, também em Berlim, na Alemanha de Hitler. Gretel Bergmann era uma judia que fazia parte da delegação alemã de atletismo.
Com o perigo de uma judia ganhar uma medalha e desmoralizar o füher — pondo abaixo toda a ideia de que os judeus eram inferiores —, Gretel foi cortada. Em seu lugar entrou Dora Ratjen (foto ao lado), que ficou na quarta colocação. Anos depois, durante um exame, um médico (gênio!) descobriu que Dora não era “Dora”. Tarde demais: Gretel ficou sem medalha e sem participar dos Jogos Olímpicos em seu próprio país.
Agora me diga, com sinceridade: quem confundiria esse marmanjo com uma mulher? Se bem que, durante a Segunda Guerra, era comum ver canhões por aí…